Dando continuidade a postagem relativa ao “Novo Estereótipo da Ciência”, decidi fazer um levantamento bibliográfico das cientistas que mais se destacaram em sua área de pesquisa ao longo das décadas. Como fora exclamado no post anterior, estas heroínas da ciência são dignas de extrema veneração, não somente pelo seu intelecto superior ao de muitos homens, mas principalmente por que conseguiram superar as barreiras impostas pela sociedade cientifica, que propiciava a homens acesso aos melhores institutos de educação e pesquisa, enquanto que elas tinham de fazer ciência sigilosamente na cozinha de suas casas. Para não estender demais a pastagem farei um breve comentário a respeito da área de atuação de cada destas mulheres, visto que foi onde elas puderam desenvolver seus talentos e consequentemente contribuir tanto ao desenvolvimento da ciência como um todo, quanto para a ascensão de sua espécie nas diversas áreas de conhecimento, já aspectos pertinentes à biografia ficam a titulo do leitor mais curioso pesquisar.
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O novo estereótipo da ciência
Historicamente, a atividade cientifica, assim como os progressos mais expressivos na ciência foram atribuídos aos homens. Os séculos XV, XVI e XVII, foram marcados por diversos eventos e mudanças na sociedade decorrente sobretudo, da obra de Copérnico, das descobertas de Galileu e Kepler e do triunfo da filosofia mecanicista. Com isso, o prestigio da tradição mágica na sociedade erudita sofreu forte declínio. A corrente filosófica escolástica e a magia natural deram lugar à filosofia cartesiana. A separação do mundo do espírito do mundo da matéria foi um passo fundamental para o desenvolvimento da ciência, pois deixava intacto o poder e a autoridade da religião no primeiro, e permitia utilizar a experimentação para investigar o segundo.
No entanto, a passagem do universo mágico para o novo paradigma não foi simples e transparente. A mudança drástica ocorrida a partir do fim do século XV contemplava a demonização da mulher, principalmente da mulher sábia. Aqueles conhecimentos empíricos, que as mulheres dominavam e praticavam desde épocas ancestrais, foram considerados suspeitos. Afirmava-se que dada sua fraqueza física e moral, sua limitada inteligência, sua carência de raciocínio, sua sexualidade incontrolável e sua lubricidade, a mulher era a vítima privilegiada de Satã. Seu saber e seus misteriosos poderes só podiam ter sido adquiridos por meios ilícitos, pactuando com o demônio. Foi essa a imagem da bruxa, elaborada com amplos detalhes durante mais de um século por inquisidores católicos, padres protestantes e a elite burocrática criada pelos estados emergentes.
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